domingo, 1 de janeiro de 2012

Sobre ela.

Encantada por gente e apaixonada por biografias,ExperienciandoAranda nasce da inquietude da alma de uma moça descendente dos Tupinambás, nascida no pontal do São Jorge dos Ilhéus no Sul da Bahia. O estimulo que a encoraja escrever é a vitalidade que dedica as suas experiências e como ela entende que careçam ser compartilhadas. A idéia central é dela se nutrir dela mesma como ferramenta de exercitar-se. O lance é que refere-se a uma leonina que vocacionalmente exerce em suas falas um tom "afirmativo”, que aliás ela odeia, diz sofrer com isso já que é facilmente confundida por outros mortais, essas aspas por sinal,são parte “da dor e delicia de ser o que é” dela, Aranda Rocha.

Filha de mãe Val, naturalista, mulher verdadeiramente parteira,cozinheira macrobiótica,influenciada pela física quântica e mil doideiras, de papai Noel, militante politico radicalmente de "esquerda", poeta, artista esperdiçado ou como queiram chamá-lo, Aranda foi criada transitando por várias cidades na grande Bahia, na caminhada ela vivenciava o nascimento de seus irmão cada um em uma cidade nova, família levemente criticada pelos próximos biológicos por residirem em tantos lugares diferentes e o genitor não ter "estabilidade financeira". De um pai apaixonado por música e literatura, cresceu sendo ninada por canções de clássicos da música popular Brasileira, com uma vasta biblioteca em casa aprendeu desde cedo que poderia viajar o mundo inteiro sem sair do lugar se alimentando de arte. Sem tomar vacinas e em experimentos constantes de sua mãe radicalmente natureba, durante sua infância ela é influenciada por um jeito de pensar bem atípico, isso lhe cria certo desconforto em relação a convivência com alguns grupos sociais, o conflito é que sempre ouviu de sua família que compaixão, amor, carinho, compreenção, cooperação e solidariedade nunca são demais, e quando leva esses valores para sua vida prática o bicho pega e ela surta... Com uma alma inquieta sorri da beleza existente em tudo que refere a gente, mas chora de dor pelas injustiças sociais, pelo desamor e pela violência. Jura que a revolução só pode acontecer com muito amor e seu senso de justiça lhe custa caro em muitas situações...
Com tudo, Aranda tem consciência de que: "Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar." Clarice Lispector


Seus pais se conheceram na adolescência e já haviam paquerado, contam que seu pai pisciano sempre foi apaixonado pela leonina mãe e que sempre formaram belo casal. Se reencontraram na capital de São Salvador meio da década de setenta, momento nostálgico com muitos acontecimentos fortes no país e na vida de ambos, a mãe na descoberta profunda de novos conhecimentos e expansão de consciência, e o pai em um jogo politico intenso que custava muito caro...E foi entre prisões, mortes, torturas, liberdade intelectual, arte pulsando e mentes brilhantes que Noel e Val se reencontram e na sequencia anseiam por Aranda. Reza a lenda contada pela irmã mais velha Quionat, que Aranda foi a única filha planejada e tão esperada, Quito conclui dizendo que ela é tão leonina que seu parto foi uma comemoração, uma sexta feira de lua cheia juntavam-se vários naturebas de Ilhéus para assistir o nascimento de Gugu Sapinha, apelido de infância que ganhara de seu pai porque só dormia de perninhas abertas como uma perereca. Quionat conta que segurava um espelho para que seu pai pudesse assistir o parto, pois ele apoiava sua mãe na parte superior e muitas histórias, não se sabe ao certo quantas pessoas estavam presente, mas...

Desde seu nascimento seus pais decidiram experimentar intensamente a vida, sua mãe decide ser parteira e realizar partos na zona rural do recôncavo da Bahia, a roça se chamava Tabuleiro de Pedra Branca. Aranda adora contar essa parte de sua vida, diz lembrar-se com clareza cada momento, do cachorro pechugo, de Torquato o doido que lhe deu suas primeiras balas para comer aos sete anos de idade, de suas amigas Mariléia e Jocélia, moças extremamente pobres que Aranda amava trocar experiências, ela gostava de se fazer presente em suas casas para sentar-se no chão junto a numerosa família que fazima suas refeições em um enorme círculo, casas de chão de barro, onde haviam escorpiões e casos de chagas, pessoas com hábitos selvagens, que cuspiam no chão, fumavam e mascavam fumo de rolo, era tudo dividido em partes iguais e eram em torno de 15 pessoas para se alimentar com pouquíssima comida. Aranda curte essas passagens contando que ali aprendeu sobre solidariedade, afirmando ser algo de extrema nobreza e importância no processo de humanização. Ao invés da competição a cooperação. Nesse período seu pai estudava para concursos públicos e cuidava de Quionat,Aranda e de Mariama, sua irmã que acabara de chegar, Lia é taurina bicho do mato, nascida nos encantos do Recôncavo na pequena casa de um quarto onde a família residia, onde havia um belo pomar no quintal, com muita fruta do conde, seriguela, laranja, limão, mangueira, jaqueira e um jardim feito com capricho de uma mãe leonina. Sobre o nascimento de Mariama Aranda diz lembrar do movimento desse dia, diferente do seu parto haviam pouquíssimas pessoas, em uma zona rural onde complicações de parto jamais poderiam se aproximar, a morte era algo tranquilo quando chegava. No parto, seu pai, sua irmã mais velha e dona Dete uma senhorinha sábia da floresta... Da coragem pode se aproximar esse dia, as atitudes diziam muito.


Na sequência, a família segue para mais uma aventura, Aranda não recorda muito bem desse momento, embora tenha sido um grande momento, segundo Aranda o filho mais esperado foi Cauê já que sua mãe sempre sonhara com um menino. Após as tentativas do ter o menino sua mãe se surpreende aos 42 anos de idade com uma gravidez "indesejada", Aranda afirma ter sido a mais desejada.Cauê nasceu em Alagoinhas cidade do leste da Bahia onde a família residia em mais uma "ciganagem", moravam numa casa interessante que uma alemã ofereceu para a família passar um tempo em troca dos conhecimentos holísticos e de alimentação natural da poderosa mãe Val. Cauê nasceu um ariano de fogo, trata-se de uma família com muito fogo benéfico, são dois arianos e duas leoninas trabalhando pesado para incendiar amor pelo mundo.

Mas, como "mistérios sempre são de pintar por ai...", que a família Rocha Santana Souza retorna para seu lugar de origem, chegam em Uruçuca quando Aranda tinha 10 anos de idade,cidade que o universo direcionou toda família, já que seu pai subversivo tinha tomado "rumo de homi" e passado num bendito concurso público, pós livre e espontânea pressão de sua mãe,tudo para que pudessem criar os quatro filhos inseridos também no mundo capitalista. E foi em Uruçuca, antiga Água Preta tão belamente citada por Jorge Amado em seus livros, na famosa região do cacau, região forte em dosagens conservadoras de pensamento e comportamento, em troca da tal "estabilidade financeira" que começou o esquecimento da veia artística de seu pai, Aranda sempre pontua como essa paixão de seu pai pela arte a influenciou em suas escolhas e em sua maneira de perceber o mundo...
Pai: "Se eu pudesse te daria parte da luminosidade das estrelas e da lua de São Jorge só para te ver tão feliz quanto no tabuleiro de Pedra Branca, quando apreciávamos o céu todas as noites e você me fazia contar as estrelas como se fosse possível, e eu sendo apenas, tua "Gugu Sapinha" De Aranda para Noel.
Ela: “Nas profundezas de minhas paixões sinceras, onde não existe o ecoar das palavras, mora a minha força mais bruta. Cada vez que me abala a dúvida, com os poros em descompasso eu sei que ela está viva, devo dizer que estou livre apenas onde não há palavras, devo dizer que eu aperto, eu mesmo, minhas amarras, cada vez que eu explico o que dizem os meus olhos, cada vez que corro para longe de mim , cada vez que falam mais alto os contratos. E eu, eu sou uma selva sou a mesma mata serena que amedronta ao cantar da lua, sou uma deusa plena que tem medo de ser nua,estou procurando velas para não estar sem trilha, e apago com paixão velas brasas, para não deixar de ser selva nunca.”